terça-feira, 5 de agosto de 2014

Amazônia possui uma reserva de água subterrânea



Amazônia tem “oceano subterrâneo”


Por Elton Alisson



Agência FAPESP – A Amazônia possui uma reserva de água subterrânea com volume estimado em mais de 160 trilhões de metros cúbicos, estimou Francisco de Assis Matos de Abreu, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terminou no dia 27 de julho, no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC), em Rio Branco.

O volume é 3,5 vezes maior do que o do Aquífero Guarani – depósito de água doce subterrânea que abrange os territórios do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e principalmente do Brasil, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados (km2) de extensão.

“A reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água da Amazônia. A água dos rios amazônicos, por exemplo, representa somente 8% do sistema hidrológico do bioma e as águas atmosféricas têm, mais ou menos, esse mesmo percentual de participação”, disse Abreu durante o evento.

O conhecimento sobre esse “oceano subterrâneo”, contudo, ainda é muito escasso e precisa ser aprimorado tanto para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano como para preservá-lo em razão de sua importância para o equilíbrio do ciclo hidrográfico regional.

De acordo com Abreu, as pesquisas sobre o Aquífero Amazônia foram iniciadas há apenas 10 anos, quando ele e outros pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal do Ceará (UFC) realizaram um estudo sobre o Aquífero Alter do Chão, no distrito de Santarém (PA).

O estudo indicou que o aquífero, situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país, teria um depósito de água doce subterrânea com volume estimado em 86,4 trilhões de metros cúbicos.

“Ficamos muito assustados com os resultados do estudo e resolvemos aprofundá-lo. Para a nossa surpresa, descobrimos que o Aquífero Alter do Chão integra um sistema hidrogeológico que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó. De forma conjunta, essas quatro bacias possuem, aproximadamente, uma superfície de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, disse Abreu.

Denominado pelo pesquisador e colaboradores Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o sistema hidrogeológico começou a ser formado a partir do período Cretáceo, há cerca de 135 milhões de anos.

Em razão de processos geológicos ocorridos nesse período foi depositada, nas quatro bacias sedimentares, uma extensa cobertura sedimentar, com espessuras da ordem de milhares de metros, explicou Abreu.

“O Saga é um sistema hidrogeológico transfronteiriço, uma vez que abrange outros países da América do Sul. Mas o Brasil detém 67% do sistema”, disse.

Uma das limitações à utilização da água disponível no reservatório, contudo, é a precariedade do conhecimento sobre a sua qualidade, apontou o pesquisador. “Queremos obter informações sobre a qualidade da água encontrada no reservatório para identificar se é apropriada para o consumo.”

“Estimamos que o volume de água do Saga a ser usado em médio prazo para abastecimento humano, industrial ou para irrigação agrícola será muito pequeno em razão do tamanho da reserva e da profundidade dos poços construídos hoje na região, que não passam de 500 metros e têm vazão elevada, de 100 a 500 metros cúbicos por hora”, disse.

Como esse reservatório subterrâneo representa 80% da água do ciclo hidrológico da Amazônia, é preciso olhá-lo como uma reserva estratégica para o país, segundo Abreu.

“A Amazônia transfere, na interação entre a floresta e os recursos hídricos, associada ao movimento de rotação da Terra, cerca de 8 trilhões de metros cúbicos de água anualmente para outras regiões do Brasil. Essa água, que não é utilizada pela população que vive aqui na região, representa um serviço ambiental colossal prestado pelo bioma ao país, uma vez que sustenta o agronegócio brasileiro e o regime de chuvas responsável pelo enchimento dos reservatórios produtores de hidreletricidade nas regiões Sul e Sudeste do país”, avaliou.

Vulnerabilidades

De acordo com Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um dos principais obstáculos para estudar o Aquífero Amazônia é a complexidade do sistema.

Como o reservatório é composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, é difícil definir, por exemplo, dados de fluxo da água subterrânea para todo sistema hidrogeológico amazônico.

“Há alguns estudos em andamento, mas é preciso muito mais. É necessário avaliarmos, por exemplo, qual a vulnerabilidade do Aquífero Amazônia à contaminação”, disse Wahnfried, que realizou doutorado direto com Bolsa da FAPESP.

Diferentemente do Aquífero Guarani, acessível apenas por suas bordas – uma vez que há uma camada de basalto com dois quilômetros de extensão sobre o reservatório de água –, as áreas do Aquífero Amazônia são permanentemente livres.

Em áreas de floresta, essa exposição do aquífero não representa um risco. Já em áreas urbanas, como nas capitais dos estados amazônicos, isso pode representar um problema sério. “Ainda não sabemos o nível de vulnerabilidade do sistema aquífero da Amazônia em cidades como Manaus”, disse Wahnfried.

Segundo o pesquisador, tal como a água superficial (dos rios), a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia. No Amazonas, 71% dos 62 municípios utilizam água subterrânea (mas não do aquífero) como a principal fonte de abastecimento público, apesar de o estado ser banhado pelos rios Negro, Solimões e Amazonas.

Já dos 22 municípios do Estado do Acre, quatro são totalmente abastecidos com água subterrânea. “Apesar de esses municípios estarem no meio da Amazônia, eles não usam as águas dos rios da região em seus sistemas públicos de abastecimento”, avaliou Wahnfried.

Algumas das razões para o uso expressivo de água subterrânea na Amazônia são o acesso fácil e a boa qualidade desse tipo de água, que apresenta menor risco de contaminação do que a água superficial.

Além disso, o nível de água dos rios na Amazônia varia muito durante o ano. Há cidades na região que, em períodos de chuva, ficam a poucos metros de um rio. Já em períodos de estiagem, o nível do rio baixa 15 metros e a distância dele para a cidade passa a ser de 200 metros, exemplificou.

Agência Fapesp, 05/08/2014




segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A fauna do cafezal




A fauna do cafezal

Publicado na revista Fapesp. Edição 217 - Março de 2014


Limpar uma área para o plantio exclusivo de café não é uma boa ideia, segundo estudo da Universidade de Würzburg, Alemanha. Os pesquisadores avaliaram a influência de outras plantas e de animais sobre a quantidade e a qualidade (tamanho) dos frutos do cafezeiro em três tipos de plantação:  jardins; cafezais plantados à sombra; e cafezais formados por uma variedade que tolera o sol e resiste a fungos, comum na Tanzânia. Em cada ambiente, o estudo  comparou a produção de pés de café visitados por pássaros, morcegos, insetos polinizadores com a de outros aos quais alguns desses animais não tinham acesso. Em todos os casos, os animais favoreceram a produção do café. Na presença de aves e morcegos a produção cresceu 10%, provavelmente porque os bichos consomem os insetos que atacariam as plantas. Quando abelhas e outros polinizadores estão presentes, os frutos são 7% mais pesados (Proceedings of the Royal Society B, 5 de fevereiro).

http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/03/10/fauna-cafezal/

Florestas plantadas e Zero Hora




17/07/2014


Florestas plantadas e Zero Hora

A coluna Campo Aberto, a página rural do jornal Zero Hora, com poucas variações, publica sobre temas polêmicos com apenas um ponto de vista, ou dois que são bem parecidos.

Hoje, abordando o tema publica 'limite das florestas', expõe somente a visão das empresas de florestas plantadas (pinus, eucalipto etc). Muitas vezes a coluna, para dar certa 'pluralidade' publica a opinião da Farsul e ou Fetag.

O jornal mais parece a assessoria de comunicação do setor florestal do que jornalismo. Não há pluralidade no tema abordado. Não há compromisso em bem informar o leitor. Simplesmente, não há jornalismo.

Em poucas linhas o jornal poderia esclarecer que pinus é diferente do eucalipto, porque é considerada planta invasora, que pode afetar a biodiversidade nativa, portanto, precisa regras especiais, restrições e maior cuidado. Poderia dizer que nem sempre os interesses imediatos das empresas são os mesmos da sociedade. E que os órgãos ambientais, como a Fepam, devem cumprir com suas obrigações legais.

Quando será que o jornal vai compreender que não é somente o econômico que deve orientar as decisões da sociedade? Mas pelo visto, o compromisso com a pluralidade de visões e o meio ambiente, ainda não estão no manual de redação de Zero Hora.

Demilson Fortes
Porto Alegre, 17/07/2014  (postado no facebook).



domingo, 13 de julho de 2014

Jornalismo ideológico


Jornalismo ideológico de William Waack

No último programa Painel, da Globo News, o jornalista William Waack conversou com convidados sobre a derrota do Brasil para a Alemanha (a goleada de 7X1). O detalhe é que os convidados se repetem, sempre tem formação liberal, alguns de centro e outros de direita. 

Neste caso estava Roberto DaMatta (antropólogo, ligado ao Instituto Millenium, entidade que articula os grandes meios de comunicação e empresariais, braço ideológico liberal), Eduardo Gianetti (professor, liberal, conselheiro e formulador do programa político da Marina Silva) e outro professor da USP.

Todos falaram que a crise pela goleada, a decepção no futebol, poderia ajudar desencadear mudanças de lideranças na sociedade brasileira. O 'jornalista' William Waack termina o programa dizendo que outubro vem aí, e quem sabe o povo brasileiro, faz da frustração do futebol fator de mudança. A sutileza ficou mais evidente.

Poderia ter concluído falando de mudar a CBF, a FIFA, a Lei Pelé que envia craques para jogar no exterior. Poderia chamar para uma nova estruturação do futebol brasileiro, diferente do padrão atual, que levou a derrota na Copa. Não fez.

Quem assiste acha que é jornalismo, acha que estão fazendo uma reflexão isenta, tentando opinar sobre a derrota e trocando ideias sobre futebol. Porém, não é isso. William Waack é um apresentador ideológico, que articula ideias sintonizadas com a classe patronal brasileira. E o Instituto Millenium, é uma braço ideológico da Globo e outras empresas.

Os convidados são escolhidos para opinar de acordo com as ideias do patrão, dos monopólios da comunicação e da oposição ao governo federal. Os especialistas, os intelectuais convidados, como regra, estão sempre afinados com os patrões e as ideias neoliberais.



Vou torcer pela Argentina





Vou torcer pela Argentina. 

Tenho muitas e boas razões para isso. 

A primeira é contrariar esse senso comum, que não é espontâneo, mas construído por comunicadores e publicitários, que criam uma rivalidade que acho artificial. Quando vejo Galvão Bueno e tantos outros (que tenho como gente chata, babaca e arrogante) reforçarem estereótipos, vou para o outro lado. Sempre me incomodou isso. Sempre duvidei disso.

Penso que conhecemos pouco da Argentina, bem como dos outros países da América, porque a TV e os jornais nunca priorizaram mostrar a América Latina, preferem mostrar a realidade dos EUA e da Europa.

Outra razão é o fato dos argentinos serem nossos parceiros da América Latina, vizinhos que temos grande afinidade cultural e motivos socioeconômicos para uma boa relação. A integração é estratégica para o Sul da América.

O futebol, claro, é um bom motivo. É paixão na Argentina, demonstrado pela invasão dos torcedores nessa Copa, algo que foi emocionante e bonito de ver. Mesmo sem a perspectiva de entrar nos estádios se largaram aos milhares. Messi é craque.

Pra reforçar minha convicção duas coisas:
A entrevista de Ronaldo Helal, da UERJ, no caderno ZH PrOA de hoje (13/07/2014, página 7, com Letícia Duarte) que fez seu pós-doutorado na Argentina e estudou essa relação de rivalidade no futebol. Segundo Helal, a visão predominante no povo argentino é positiva em relação a Brasil, "para eles nosso futebol é de alegria e bonito". Parece que os brasileiros tem uma visão mais estereotipada negativamente, somos mais arrogantes.
Essa visão dos brasileiros em relação aos argentinos é construída pela comunicação e reforçada pela publicidade. A mesma mídia que acha que somos imbatíveis, os melhores no futebol, e que achava que os estádios não ficariam pronto e os aeroportos não iriam funcionar. 

Enfim, para finalizar existem 22 motivos listados na revista Carta Capital desta semana (nº 807, página 65), entre outras alfajores, vinho, Che Guevara, Astor Piazzola, Borges, papa Francisco etc. 

Viva a Argentina!





quinta-feira, 10 de julho de 2014

[quem diria]: A praga que veio com a lavoura




[quem diria]: A praga que veio com a lavoura


Unesp Ciência - por REDAÇÃO em 10/07/2014

Expansão da agropecuária pela Amazônia abriu caminho para que novas doenças atingissem cultivos. Uma delas está atacando os pastos e causando prejuízo a exportadores de sementes e criadores de gado

Reportagem de André Julião.



OS PREJUÍZOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA EXPANSÃO DA AGROPECUÁRIA NA AMAZÔNIA SÃO NOTÓRIOS , desde a perda de biodiversidade até as mudanças climáticas que afetam o mundo todo. Menos conhecidos, porém, são os efeitos da introdução de culturas agrícolas na região. Pesquisas conduzidas pelo agrônomo Paulo Ceresini, professor da Faculdade de Engenharia da Unesp em Ilha Solteira, estão mudando esse quadro. Os estudos, financiados pela Fapesp, estão mostrando como a agricultura em larga escala pode, na verdade, contribuir para o surgimento de pragas na lavoura.

O foco principal das pesquisas de Ceresini é uma doença conhecida como queima da braquiária. A braquiária é uma planta que, diariamente, alimenta milhões de sul-americanos, mas não se espante se você nunca ouviu falar dela. Os sul-americanos em questão são parte das mais de 300 milhões de cabeças de gado que vivem em nosso continente. E a braquiária é uma gramínea, surgida originalmente na África, que chegou aqui apenas nos anos 1960 e hoje é o capim mais usado para pastagens no continente, espalhando-se numa área entre 60 e 70 milhões de hectares.

A queima da braquiária destrói as paredes celulares das folhas, o que as torna inúteis para a alimentação do gado. “É um patógeno especial, que pode se instalar tanto fora quanto dentro da semente”, explica Ceresini. “Devido ao fato de ser invisível a olho nu, ele pode facilmente ser dispersado pela semente, de uma região para outra”, diz.

Como fungicidas não dão conta, a única alternativa para o produtor cuja pastagem foi atacada pelo mal é limpar o terreno para plantar outra cultura. E os prejuízos podem ser ainda maiores: além de usar a plantinha para alimentar o rebanho, o Brasil também é exportador de semente de braquiária, o que só aumenta a preocupação com o surgimento de patógenos.

Até recentemente, ignorava-se como a queima da braquiária poderia ter se originado. A pesquisa de Ceresini conseguiu mostrar que a doença é uma espécie de “versão adaptada” de um mesmo mal que ataca as culturas de arroz e de soja, casos em que é conhecida respectivamente como “queima da bainha” e “mela”. “As mesmas áreas onde hoje encontramos a queima da braquiária no passado foram ocupadas por lavouras dessas duas culturas”, diz Ceresini.

No estudo conduzido pelo agrônomo, foram analisadas 1.200 amostras de plantas doentes das três culturas, coletadas nos Estados de Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso e no Estado de São Paulo. Dessas, mil tinham espécies do fungo Rizhoctonia. As análises reforçaram a hipótese de que, quando as culturas da soja ou do arroz são substituídas pela pecuária, a doença fica no solo e toma conta do capim.

A suspeita começou a ser investigada quando o professor recebeu uma aluna de doutorado da Colômbia, que alertou sobre os males que a queima da braquiária estava causando naquele país. “Não se sabia o que a originava. Havia a suspeita de que fosse algo fisiológico ou causado por um inseto, mas nada conclusivo”, lembra o pesquisador. Em 2012, a pesquisa foi concluída e ficou claro que, pelo menos na Colômbia, a doença emergiu das plantações de arroz.

Ceresini descobriu que tanto na soja e no arroz quanto na braquiária, a doença é causada por fungos do gênero Rhizoctonia. Em todos os Estados da região amazônica em que fez coletas, a equipe do pesquisador encontrou espécies como Rhizoctonia solani, R. oryzae, R. oryzae-sativae e R. zeae. Em São Paulo, as amostras foram coletadas no Vale do Paraíba. Aqui, a doença não foi encontrada no capim, mas somente no arroz. “A presença desses fungos no terreno não vai necessariamente gerar contaminação na braquiária, mas como os fungos pertencem ao mesmo gênero, não é impossível que isso ocorra no futuro”, diz.

O pesquisador explica que quando lavouras são estabelecidas em áreas anteriormente cobertas por florestas, patógenos que antes estavam presentes ali, mas numa condição de equilíbrio ambiental, passam a interagir com as culturas trazidas pelos agricultores. Aparentemente, a interação ocorreu primeiro com as culturas de arroz e de soja, e, à medida em que estas deram lugar a pastagens, terminou por contaminar também a braquiária.

“Estes fungos tiveram uma evolução muito rápida, adaptando-se a plantas muito diferentes umas das outras do ponto de vista biológico”, diz o pesquisador. “Se a braquiária não tivesse sido introduzida na Amazônia, talvez esse patógeno nunca tivesse surgido”, pondera.

No caso daquela região, as evidências mostram que a doença provavelmente acompanhou a expansão do arroz, normalmente a primeira cultura a ser introduzida numa área nova. Isso ocorreu em diversos momentos na Amazônia, ocupada em ondas sucessivas de migração incentivadas por planos de governo. Depois do fim do Ciclo da Borracha, que teve sua última sobrevida na Segunda Guerra, vieram a Operação Amazônia nos anos 1960, o primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento e o Plano de Integração Nacional, ambos na década seguinte, que privilegiaram a ocupação do território e a pecuária.

Há também a hipótese de que a doença já fosse nativa da região e estivesse em equilíbrio na floresta. Afinal, como existe uma grande diversidade de espécies nos ambientes naturais, o fungo não chegava a causar uma epidemia. “Derrubou-se a floresta e se introduziu uma planta exótica em grande quantidade. O fungo, então, troca de hospedeiro, e vira um patógeno novo naquela cultura”, explica Ceresini.

Mesmo com essas informações, é difícil evitar que o mesmo ocorra em São Paulo. “A única forma seria não plantar braquiá-ria nas regiões onde o fungo é encontrado”, diz Ceresini. No entanto, não existe nenhuma política pública direcionada para detectar e impedir a emergência de novos patógenos. “Nunca somos proativos quando se trata de pragas agrícolas, estamos sempre reagindo depois que já causaram prejuízos”, avalia. A pesquisa contribui para que se enxergue a expansão da agropecuária em nosso país de forma crítica. “O Brasil, além de ser autossuficiente no que consome, ainda exporta. Não é necessário expandir mais”, diz. 





quarta-feira, 9 de julho de 2014

Agressão de Israel aos palestinos




Agressão de Israel  aos palestinos

As imagens que chegam dos ataques de Israel aos territórios palestinos são horríveis, tristes e indignantes. Já são pelo menos 60 palestinos mortos, muitas crianças e pessoas civis, vítimas inocentes dessa agressão. Uma covardia. É verdade que o Hamas ataca. Mas a Palestina não é só o Hamas. Além disso, nem se compara o poder bélico, o poder de destruição das forças israelenses. Israel tem supremacia bélica, teria o poder de evitar, mas prefere a guerra. Se Israel bombardeia Gaza, mas se invadir será um massacre ainda maior. Israel não quer mediação, quer a guerra. 

Sinto uma dor no coração, sinto pela Palestina, pelos inocentes, especialmente pelas crianças que têm suas vidas interrompidas em razão de fanatismos dos adultos. Queria que Deus existisse e conseguisse evitar essas coisas. Porém, é somente o desejo de paz e o diálogo entre os homens pode salvar as crianças da Palestina. 


Demilson F. Fortes

Porto Alegre, 9/07/2014.