sexta-feira, 16 de março de 2012

Sobre símbolos religiosos


O Jurista Paulo Brossard está na defesa da volta dos crucifixos (ZH de hoje, dia 16/03) aos prédios do Judiciário. Argumenta ele, que Cristo foi julgado injustamente e condenado, razão para manter os símbolos nos tribunais. Convenhamos Sr. Brossard: esse argumento?

Jesus Cristo merece todo meu respeito e admiração, e é merecedor da fé de milhões de pessoas desse país maravilhoso. Mas, os símbolos estão nos espaços públicos por que a Igreja Católica até agora teve imensa influência na sociedade, na cultura e nas instituições. Somente por isso.

No entanto, está sendo alterado esse quadro, com outras manifestações religiosas, inclusive cristãs que não utilizam o crucifixo como seu símbolo. E, o algo importante de ser lembrado, o Brasil começa a se afirmar como Estado laico, sem interferência direta de nenhuma religião, mesmo assumindo (de forma muito tranquila) a influência cultural do cristianismo de vertente católica que existe.

O direito de professar sua fé (e, obviamente difundi-la) é algo que temos garantido constitucionalmente e nos orgulhamos dessa liberdade estar introjetada em cada brasileiro, que juntamente a outras liberdades, é parte dos extraordinários avanços civilizatórios que a nossa democracia proporciona.

Então Sr Brossard, melhor ficarmos sem nenhum símbolo religioso nas instituições públicas. Certamente, Jesus Cristo, pela sua grandeza, compaixão e sabedoria, aprovaria esse tipo de decisão.

Demilson Fortes

quinta-feira, 8 de março de 2012

Parabéns ao STF


Parabéns ao STF

O Supremo Tribunal Federal revê a decisão tomada no dia 07 deste mês, que julgou inconstitucional o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Se a decisão fosse mantida havia a possibilidade de paralização de programas sociais e políticas públicas importantes. Numa atitude responsável, analisando o contexto e consequências para o país, o STF voltou atrás.

 Essa postura do STF sinaliza à sociedade que a lei não é algo inflexível, algo que não possa dialogar com a realidade social, econômica e cultural de uma sociedade. De que a justiça deve estar estar atenta ao que ocorre nas ruas, na vida concreta das pessoas e das suas necessidades. De que a justiça deve julgar conhecendo a realidade econômica do Estado e tendo a sensatez da viabilidade econômica e operacional da aplicação das sentenças. Infelizmente, não foi isso que fizeram alguns juizes no caso do ENEM, com decisões absurdas.

 As leis são produtos de vontades de maiorias que se formam, de correlações de forças que influenciam certa sociedade, configurando blocos de poder que se formam e conseguem impor suas vontades, num determinado período histórico. Em sendo produto exclusivo da sociedade, devem ser lidas sob contextos sociais, econômicos e culturais que na sua aplicação não prejudiquem a própria sociedade. E, foi isso que fez o STF, pesando o transtorno e retrocesso que causaria em tantos programas sociais e políticas que impulsionam o país, enquanto a Europa e EUA vivem aguda crise econômica.

Demilson Fortes


Dia 08 de março



Dia 08 de março, um dia para abraços fraternos e confraternização com as mulheres por tantos avanços. Para lembrar das alegrias da vida e também das dores da opressão e da violência. Dia para memória histórica das lutas e das lutadoras sociais. Da reflexão crítica e mobilização social. Da luta política por um mundo de direitos iguais, sem preconceitos e sem violência. Dia de luta por mundo democrático, justo fraterno e livre.

Neste dia internacional da mulher é oportuno (mulheres e homens) refletirem sobre os a histórica discriminação e submissão das mulheres, e discutir sobre atitudes para a superação da ideologia machista que, ainda persiste no mundo. Também é importante a reflexão sobre as causas contemporâneas da opressão sobre as mulheres.

Em relação a isso, Rachel Moreno, em programa na TV Futura, fez uma análise crítica da relação "mulher, mídia e consumo". Esse poderia ser um bom tema para debate neste 08 de março. A mulher tem sido exposta e utilizada como objeto e veículo para vender produtos. A mulher é usada, permanentemente, para vender carro, vender cerveja, vender casas, vender padrão de beleza, vender de tudo. Vender, vender, vender. Consumir, consumir, consumir. Lamentavelmente, são utilizadas como objeto de atração para estimular o consumo; como apelo para forçar o consumo.

É fato que, ainda, são milhares de mulheres que buscam direitos, espaço, reconhecimento e oportunidades. Mas, milhares já tem acessado a patamares elevados de inserção social, muitas superiores em relação às outras mulheres e aos homens sem apontar para novas relações sociais e nova cultura antimachista. Visivelmente, as formas de opressão, desigualdade e preconceito se renovam, muitas vezes dissimuladas, que acabam reforçando velhas ideologias arcaicas, criando novas opressões, dependências e violências, não contribuindo para relações de igualdade e de liberdade efetiva. A publicidade da cerveja e de carros, são dois exemplos, de apropriação da imagem de forma agressiva e vergonhosa. Da mesma forma que o padrão de beleza em que são submetidas as mulheres significa para milhares delas uma forma de violência.

Neste 08 de março, em que muitos machistas se apresentam com bons modos e felicitações, seria maravilhoso ver acontecer de mulheres e homens ocuparem as ruas e mídias dizendo para as cervejarias e montadoras de carros, que divulguem e comercializem as qualidades dos seus produtos, porém não utilizem mais as mulheres como objeto e instrumento de mercado.

Existem países onde há restrições ao uso da imagem na publicidade, um bom debate sobre valores e ética que deveríamos fazer. Acho que as cervejarias não iriam gostar. 

Demilson F. Fortes

sexta-feira, 2 de março de 2012

Euros para bancos


O Banco Central Europeu colocou 529 bilhões de euros no sistema financeiro europeu (800 bancos). Segundo alguns economistas, desde o início da crise, já foi injetado mais de 5 trilhões de dólares no sistema da Europa e EUA. Isso mostra que a "fábrica de dinheiro" está em pleno funcionamento. Alguns estudos, apontam que acabar com a fome no mundo, custaria bem menos que isso, mas para isso, a "fábrica" não pode funcionar, dizem eles que "causa inflação".

Demilson Fortes

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pode ser pior

Pode ser pior...

Os candidatos da direita nos EUA estão com metas fora da Terra, eles estão prometendo até a Lua...

Os republicanos, querendo chegar ao poder, estão com a cabeça na Lua. Um deles, o Newt Gingrich, além de ultraconservador é picareta, prometeu uma base na Lua até o final de seu segundo mandato, nos anos 2020. Ele quer os EUA superando a China, sendo o primeiro país a ter uma base permanente na Lua. Empolgado, prometeu a Lua para os americanos e foi mais longe, sugeriu uma base com 13 mil americanos vivendo lá nas alturas. Estas modestas ideias dos candidatos custariam bilhões de dólares a um país em crise. Mas, funciona para animar um povo que está sentido perder espaço no mundo devido a ascensão da China e outros países.

Alguns cientistas lúcidos, dizem ser isso um absurdo. Segundo os jornalistas, Jorge pontual e Silio Boccanera, que fizeram a reportagem no Globo News, o voo tripulado da Apollo, custou aos EUA, em moeda de hoje, o equivalente a 200 bilhões de dólares.  Se já foi caro naquele momento, agora pior ainda, os EUA estão em crise,  coloca a  reportagem. Trata-se de muito dinheiro, para um cientista é "inalcançável' em períodos de crise, que se tem outras prioridades. Colonizar a Lua é levar tudo para lá para ter a mínima condição de sobreviver.

Um cientista disse que mídia deveria estar dizendo para as pessoas: “prestem atenção”. Mas, o fato é que não estão levando nada sério a coisa. Aliás, quem se diverte são os humoristas. Essas promessas dos conservadores deixam o democrata Obama na defensiva, ele está cortando gastos para diminuir o déficit e propõe investir na saúde pública e reativar a economia.

O pior disso tudo: estes são as pessoas, que vão governar o país mais poderoso do mundo. Estes são "os líderes da América". E, não há graça nessa demagogia e nessa demência conservadora. Por isso, se muitos políticos são ruins aqui, nos Estados Unidos, pode ser muito pior e com consequências mais graves, para todo mundo. Para o todo o mundo e talvez também para a Lua....

Demilson Fortes

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Oscar


Os EUA e seu cinema continuam fortes? Pelos muitos comentários sobre o Oscar que se ouve parece que sim. Talvez seja somente o costume dos analistas da periferia que adoram o Império e suas novidades. Essa premiação do Oscar reflete muito bem a influência (até aqui um domínio) cultural dos EUA sobre o mundo. Ora, cinema se faz em muitos lugares do mundo, mas não se consegue investir tanto e se impor tanto comercialmente como faz hollywood. Um dia, possivelmente, se o Oscar for apenas mais um prêmio, juntamente a outros de pelo mundo, os EUA já não será um Império e terá perdido sua força. É notório que mesmo os países europeus não conseguiram se colocar como influência no cinema para o mundo, mesmo produzindo excelentes filmes e tendo a força econômica que têm. Os europeus para sobreviverem tiveram de aprovar leis de proteção à exibição da produção nacional.

A questão é se a China, como potência que emerge, poderá fazer a diferença na área cultural. Eu tenho dúvida sobre isso, pois, um país que não tem liberdade e vive da restrição e da censura, dificilmente conseguiria ser potência (estilo hollywood) nessa área. Agora, como o capitalismo se reinventa, poderá ser que a China venha a produzir uma máquina industrial de fazer filmes para entretenimento do mundo. A verdade é que capitalismo não rima necessariamente com democracia, podendo sim, se dar muito bem com ditaduras, desde que enriqueça alguns e deixe milhares de pessoas maravilhadas com alguma coisa. Apostaria que as estrelas de hollywood aceitariam produzir filmes com regimes ditatoriais desde que lhes rendessem dólares para encherem seus bolsos, sustentando sua opulência e arrogância, assim é que ocorre com os empresários do mundo ocidental que vão ganhar dinheiro na China (explorando até trabalho escravo e infantil) e andam por aí dando discursos de democratas.

Demilson F. Fortes

Internet: tudo tem seu preço?



Serviços  de internet gratuitos? 
De um importante documentário exibido no canal Futura, que problematizou o tema:
 "você paga a internet gratuita com as informações suas que são postadas". E, ainda: "a sua curiosidade no google é uma mina de ouro".

Então é isso: a informação sobre sua vida vale ouro para os serviços "gratuitos" da internet. Não é para menos que facebook vale quase US$ 100 bilhões e o Google vale quase US$ 200 bilhões. As informações que você posta ajuda google e facebook fazerem muito dinheiro. Segundo opinião de alguns funciona mais ou menos assim: "você é convidado a participar e ignora as consequências".

Um bom debate sobre a internet e a privacidade das pessoas, a liberdade, a segurança de dados pessoais, etc, etc,

Demilson F. Fortes