terça-feira, 8 de setembro de 2009

Presidente vetará plantio de cana em algumas regiões do país

www.ambientebrasil.com.br

Lula vetará o plantio da cana em 50% do país

Com um ano e dois meses de atraso, o presidente Lula vai anunciar o veto à expansão das plantações numa área de 4,6 milhões de quilômetros quadrados - mais da metade do território nacional- e em regiões que mantenham a vegetação nativa no restante do país. Essas serão as principais medidas do "selo verde" que quer imprimir ao projeto do álcool combustível, escanteado devido à prioridade ao pré-sal.
Em discurso na sede da União Europeia, em Bruxelas, em julho de 2007, Lula afirmou que o biocombustível brasileiro não aumentaria o desmatamento nem avançaria sobre a produção de alimentos. Desde então, esse compromisso ficou limitado às palavras.
Com exceção das nove usinas que operam na Amazônia e na área do entorno do Pantanal mato-grossense, novos empreendimento serão proibidos nessas regiões, segundo a proposta. O projeto estimulará novas plantações de cana em áreas de pastagens degradadas.
A expectativa de governo e produtores é duplicar a área de cerca de 7 milhões de hectares (ou 70 mil quilômetros quadrados) de cultivo até 2017. Objeto de longa e acirrada disputa no governo, as regras do zoneamento da cana correm o risco de serem alteradas no Congresso antes de entrarem em vigor.
Aos ministros, Lula anunciou que não podia comprometer a estratégia do álcool "verde" para atender aos interesses de produtores rurais do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, aliados do ministro Reinhold Stephanes (Agricultura). Mas, ao optar por um projeto de lei - e não por medida provisória-, Lula abriu caminho para novo "round" entre o agronegócio e os ambientalistas.
O anúncio do zoneamento da cana está confirmado para o dia 17. O evento terá 300 convidados. Integrantes do governo reconhecem no ato comandado por Lula uma resposta à movimentação da pré-candidata ao Planalto Marina Silva (PV). O compromisso com o biocombustível verde extrapola, porém, o debate político interno. Tem a ver com a imagem internacional e com a possibilidade de barreiras não-tarifárias à venda do álcool no exterior.
Essa preocupação foi exposta em carta a Lula pelo presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank. A carta registra que "percepções errôneas sobre a correlação entre biocombustíveis e desmatamento ainda persistem" e pede a definição breve das regras.

Lobby - O lobby mais forte e principal entrave ao zoneamento da cana até aqui tem como pivô uma área de 110 mil quilômetros quadrados no entorno do Pantanal. Ambientalistas alegam que o cultivo de cana na área, onde já operam cinco usinas, pode contaminar o Pantanal. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) ameaçou deixar o governo caso a área fosse liberada para a cana.
Os produtores locais, que esperavam fazer da borda do Pantanal um novo polo de produção de açúcar e de álcool, prometem reagir. "70% da produção do Mato Grosso se concentra nessa região e três novos projetos estavam aguardando a liberação. A decisão é um retrocesso", disse Jorge Santos, diretor do Sindálcool (Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado do Mato Grosso).
A mobilização para tentar mudar a proposta do governo no Congresso é confirmada pelo presidente do BioSul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda. "Há cerca de um milhão de hectares que poderiam receber novos projetos", defende.
A presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), avalia que o zoneamento da cana deveria se limitar a medidas de incentivo à produção em áreas que o governo considerasse mais aptas, sobretudo por meio de financiamento público. "Proibir é uma coisa de que não gosto; ferir o direito de propriedade e a livre iniciativa incomoda", disse.
A proposta do governo prevê o veto à expansão da cana na Amazônia e no entorno do Pantanal não só via licenciamento, mas por meio de autorização do Ministério da Agricultura às novas usinas. Outra medida é proibir o corte da vegetação nativa para o cultivo de cana. A desobediência poderá levar ao embargo da produção.
(Fonte: Marta Salomon/ Folha Online)

Países pobres precisam de ajuda para enfrentar as mudanças climáticas

www.ambientebrasil.com.br

Países pobres precisam de um Plano Marshall para as mudanças climáticas

Os países pobres precisam de um verdadeiro "Plano Marshall", de cerca de 600 bilhões de dólares (419,47 bilhões de euros) por ano a partir de agora, para enfrentar rapidamente as mudanças climáticas, segundo um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira (1º).

"Para orientar as despesas de investimento para a obtenção de um crescimento ideal, um apoio internacional maciço deverá se manifestar sob a forma de um programa de investimento mundial", indica o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) em seu estudo.

Os países pobres "precisam de um plano Marshall", insistiu um dos autores do estudo, Richard Kozul-Wright, durante uma entrevista coletiva à imprensa.

Kozul-Wright considera que entre 500 e 600 bilhões de dólares por ano, ou seja, cerca de 1% do produto mundial bruto, seriam necessários para ajudar os países pobres a enfrentar os problemas relacionados ao clima.

Para a ONU, a questão das mudanças climáticas não pode ser simplesmente resolvida por uma diminuição generalizada das emissões de gases do efeito estufa de todos os países em relação aos seus níveis atuais.

O valor das despesas públicas destinadas a atenuar os efeitos das mudanças climáticas chega a apenas 21 bilhões de dólares por ano, enquanto que centenas de bilhões de dólares são necessários, indica a ONU.

Solucionar esse problema está no centro das discussões que antecedem a próxima Conferência de Copenhague, que será realizada em dezembro. Durante o encontro, os chefes de Estado e de governo deverão tentar chegar a um acordo que deve suceder o Protocolo de Kyoto a partir de 2013.

Esse acordo deve permitir conter o aumento das emissões de gases do efeito estufa que podem levar a um aquecimento global que pode chegar a 6,4°C até o fim do século, segundo as previsões do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Evolução do Clima (Giec).

"Precisamos de um verdadeiro New Deal", insistiu Kozul-Wright, ressaltando que os países em desenvolvendo são aqueles que sofrem mais os efeitos das mudanças climáticas.

As estimativas citadas no relatório indicam que por cada aumento de 1°C nas temperaturas mundiais médias, o crescimento anual nos países pobres poderá cair de 2 a 3 %, sem, entretanto, causar a menor mudança no crescimento dos países ricos.

Para os países pobres, o desafio principal é "casar os objetivos de desenvolvimento com os objetivos ligados às mudanças climáticas", explicou aos jornalistas o diretor da organização não governamental South Center, Martin Khor.

A ONU recomenda aos países ricos que favoreçam transferências de tecnologia para os países pobres.

"Grandes investimentos seriam necessários imediatamente, sobretudo no setor público, para construir novas infraestruturas energéticas", estipula o estudo.

"As tecnologias necessárias existem, mas elas são caras", insistiu Khor.

Segundo a ONU, "o desrespeito por parte dos países ricos de seus compromissos de longo prazo para uma ajuda internacional para a redução da pobreza e para uma transferência significatica de recursos e de tecnologia constitui o principal obstáculo para a resolução do problema das mudanças climáticas".
(Fonte: Yahoo!)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Consumo nos EUA emite mais CO2

23 / 07 / 2009 (www.ambientebrasil.com.br)

Consumidores americanos são os maiores emissores de CO2

Os Estados Unidos são de longe o maior emissor de gases causadores do efeito estufa, à frente da China, se os consumidores dos países ricos forem responsabilizados pelo carbono emitido na produção dos bens que adquirem, disse um pesquisador nesta quarta-feira (22).

Os gases causadores do efeito estufa geralmente são contabilizados para os países onde ocorre a emissão. Esses dados indicam que a China superou os EUA como maior poluidor.
Mas ajustando as emissões para atribuí-las ao país onde são consumidos os bens gerados por elas faz com que a conta dos países ricos cresça, diz o pesquisador do Centro para Pesquisa Climática e Ambiental de Oslo (Cicero), Glen Peters.

"O ranking faz muitos países ricos parecerem pior e muitos países pobres, melhor", disse ele.

No ranking de 73 nações, os americanos têm a maior "pegada de carbono" anual, equivalente a 29 toneladas de carbono per capita, à frente de australianos (21 toneladas) e canadenses (20 toneladas).
Cada cidadão chinês conta, na avaliação baseada em dados de 2001, com meras 3,1 toneladas.

Ajustando-se a proporção para evitar distorções causadas pela enorme população chinesa, o resultado é 7,9 bilhões de toneladas em emissões americanas e 3,9 bilhões de emissões chinesas.

Países em desenvolvimento já indicaram que os países ricos deveriam responsabilizar-se mais pelas emissões geradas na produção de produtos para exportação. Um novo tratado da ONU sobre mudança climática deverá ser firmado em Copenhague, em dezembro.

O estudo de Peters determinou que os consumidores de cada país tendem a ter uma pegada de carbono cada vez maior à medida que enriquecem, uma descoberta desanimadora para governos que tentam manter o compromisso com o corte de emissões e com o crescimento econômico.

"Uma vez que você tenha comprado comida e pago pela sua casa, o que você faz com o dinheiro que sobra é consumo de luxo", disse Peters. "Quanto mais dinheiro você ganha, mais emissões você tem".

Ele sugere que os governos tentem canalizar o consumo para atividades mais baseadas em serviços, como teatro ou restaurantes.

(Fonte: Estadão Online)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mandioca fica mais tóxica com CO2 no ar

01 / 07 / 2009 www.ambientebrasil.com.br

Mandioca fica mais tóxica com CO2 no ar, sugere estudo

Culturas como a mandioca, das quais milhões de pessoas em todo o mundo dependem, tornam-se mais tóxicas e produzem menos em um mundo com mais gás carbônico e secas, dizem cientistas australianos.

Ros Gleadow, da Universidade Monash (Melbourne), testou a reação da mandioca e do sorgo a uma série de cenários de mudança climática para estudar a qualidade nutricional e a produtividade.

Ambas as espécies produzem o veneno cianeto quando suas folhas (e, em algumas variedades de mandioca, a raiz) são esmagadas. O grupo testou as plantas com três concentrações diferentes de CO2.

Com o dobro da concentração atual (380 partes por milhão) de CO2, o nível do composto tóxico da mandioca fica bem mais alto. Entretanto, o aumento é só nas folhas. "Mas a planta não cresce tão bem", disse Gleadow.

(Fonte: Folha Online)

Dióxido de carbono e desaparecimento de corais

08 / 07 / 2009 www.ambientebrasil.com.br

Especialistas prevêem que recifes de corais desapareçam neste século

Os recifes de corais desaparecerão neste século caso as emissões de dióxido de carbono (CO2) não sejam reduzidas drasticamente, informou um painel de especialistas, em uma reunião realizada na Royal Society de Londres, nesta terça-feira (7).

O encontro, organizado pela Sociedade Zoológica britânica, pelo Programa Internacional sobre o Estado dos Oceanos (IPSO, na sigla em inglês) e pela Royal Society, teve o objetivo de identificar alvos e fixar prazos concretos de atuação contra o aquecimento global.

A previsão dos cientistas é que, antes de 2050, seja alcançada uma concentração de CO2 na atmosfera de 450 partículas por milhão (ppm), um ponto "a partir do qual os corais podem chegar à extinção em questão de décadas".

"O nível seguro de CO2 que deveríamos perseguir é de 320 ppm, porque agora sabemos que 360 ppm é o nível no qual os recifes deixam de ser viáveis em longo prazo", afirmou o professor John Veron, um dos principais especialistas do mundo em recifes.

Vernon se mostrou pessimista sobre a capacidade dos políticos de responderem a este desafio.

Se a situação continuar assim, o analista afirmou que "o que agora consideramos um ano ruim, será um ano normal em 2030 e um ano muito bom em 2050. A situação continuará piorando, antes de melhorar, façamos o que façamos".

(Fonte: Folha Online)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Aquecimento global: efeitos do CO2 nos oceanos

Filme alerta para os efeitos do CO2 nos oceanos

O longa-metragem ''A sea Change'' (Uma mudança no mar), da americana Barbara Ettinger, fascinou e assustou os espectadores do XI Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), realizado na cidade de Goiás Velho, na quarta-feira (17) ao alertar para o grave problema ambiental da acidificação dos oceanos.

Rodado no formato docudrama - uma mistura de documentário e ficção -, o filme acompanha o educador norueguês radicado nos Estados Unidos, Sven Huseby, que fica aturdido ao ler um artigo sobre a acidificação dos oceanos em consequência da poluição por dióxido de carbono (CO2).

A cineasta segue Huseby em sua jornada em busca de explicações e respostas, que, à medida que aparecem, deixam o educador e o público cada vez mais perplexos.

Ao participar de uma conferência de oceanógrafos em Seattle, nos Estados Unidos, Huseby descobre que o oceano absorveu 118 milhões de toneladas cúbicas de CO2 em 200 anos, 43% disso apenas nas duas últimas décadas, e que a maior ameaça desta mudança é a completa extinção da vida marinha.

"A comunidade científica cometeu um erro ao subestimar os efeitos da absorção de dióxido de carbono pelo oceano. As consequências são imprevisíveis", afirma um dos cientistas reunidos em Seattle.

Entre outros efeitos, a água mais ácida dissolve a concha de mariscos e outros animais marinhos, como os corais, que podem simplesmente deixar de existir dentro de 50 anos, segundo cálculos de alguns oceanógrafos. No caso dos pterópodes, pequenos moluscos de menos de um centímetro protegidos por uma fina concha, a situação é ainda mais grave: por estarem na base da cadeia alimentar de milhares de espécies, sua extinção causaria um dano irreparável.

No final do filme, Ettinger mostra exemplos de investimento na produção de energia limpa, essencial para conter as emissões de CO2. Huseby mostra ainda iniciativas bem sucedidas de implantação de energias limpas tradicionais, como a solar e a eólica, e de fontes menos conhecidas, como a geotérmica e a que utiliza a força das ondas do mar.

Antes do Fica, "Uma mudança no mar" já havia sido apresentado em festivais internacionais como os de São Francisco, na Califórnia, e de Seattle, em Washington. Em Goiás Velho, ele concorre com outras três produções pelo principal prêmio da mostra competitiva, que será anunciado no sábado. Um total de 556 obras de 47 países estão sendo apresentadas nesta mostra, a maioria fora de competição.

(Fonte: JB Online)
www.ambientebrasil.com.br

sexta-feira, 19 de junho de 2009

ONU: aumenta a fome no mundo

ONU: com crise, número de desnutridos ultrapassará 1 bilhão

A barreira de um bilhão de pessoas que passam fome será superada em 2009 em consequência da crise econômica mundial, anunciou nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas (ONU) para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
"Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de subnutrição em todo o mundo", adverte a FAO em um relatório sobre a segurança alimentar mundial.
"O número supera em quase 100 milhões o do ano passado e equivale a uma sexta parte aproximadamente da população mundial", destaca a agência especializada da ONU, que tem sede em Roma.
Segundo as estimativas da FAO, baseadas em um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, "a maioria das pessoas subnutridas vive em países em desenvolvimento". Quase 53 milhões de pessoas sofrerão fome em 2009 na América Latina e Caribe.
O número chega a 642 milhões na Ásia-Pacífico, 265 milhões na África subsaariana, 42 milhões no Oriente Médio e África do Norte e 15 milhões nos países em desenvolvimento.
O número de subnutridos no mundo passou de 825 milhões no biênio 1995-1997 a 873 milhões de 2004 a 2006.
Em 2008, o númerou caiu de 963 milhões a 915 milhões por uma melhor distribuição dos alimentos, mas a tendência se reverteu com o agravamento da crise econômica e financeira do fim do ano.
Para a FAO, o objetivo fixado em 1996 na Cúpula Mundial sobre a Alimentação (CMA) de reduzir à metade o número de pessoas com fome não será alcançado.
A meta foi ratificada, no entanto, com o compromisso de ser atingida em 2015, em uma reunião da ONU em Roma em junho de 2008. Mas a redução da renda pela crise e os elevados preços dos alimentos foram devastadores para as populações mais vulneráveis.
As estimativas da FAO confirmam a tendência desalentadora da última década para uma insegurança alimentar maior e revelam claramente o impacto da crise nas populações mais pobres do planeta.
"O aumento da insegurança alimentar que aconteceu em 2009 mostra a urgência de encarar as causas profundas da fome com rapidez e eficácia", afirma a organização.
"A atual desaceleração da economoa mundial, que segue a crise dos alimentos e dos combustíveis e coincide em parte com ela, está no centro do fuerte aumento da fome no mundo", indica a agência da ONU.
As estimativas alarmantes da FAO foram publicadas três semanas antes da reunião de cúpula dos chefes de Estado e de Governo do G8, os oito países mais ricos do mundo, na cidade italiana de L'Aquila, de 8 al 10 julho.
A crise econômica e suas repercussões, em particular na África, o continente mais afetado, estão na agenda da reunião.
Na América Latina e Caribe, a única região que registrou sinais de melhora nos últimos anos, também foi comprovado um aumento (12,8%) do número de desnutridos. Até nos países desenvolvidos, a desnutrição se transformou em uma preocupação cada vez maior.
O relatório completo sobre a insegurança alimentar no mundo será apresentado oficialmente em outubro.

Fonte: Terra Notícias/AFP
19 de junho de 2009